domingo, 22 de janeiro de 2012
Aloha
terça-feira, 30 de março de 2010
Renato Russo: Duetos

(Rolling Stone)
Continuando as comemorações da passagem dos 50 anos de nascimento de Renato Russo foi lançado no ultimo sábado, 27 de março, aniversario do Renato, o CD “Renato Russo – Duetos”. Mas ele só chega às lojas a partir do dia 05 de abril.
São 15 faixas, e na maioria as vozes de Renato são das sessões dos seus dois primeiros discos solo: The Stonewall Celebration Concert, de 1994, e Equilíbrio Distante, de 1995. As versões com Paulo Ricardo, Erasmo Carlos e 14 BIS são as mais conhecidas, pois, além de terem vindo em discos dos artistas, já foram lançadas em outra coletânea do tipo com Renato (O Trovador Solitário), junto com as versões com e Cida Moreira, Herbert Vianna (Globo de Ouro) e as montagens com Cássia Eller e Zélia Duncan que foram feitas logo após a morte da Cássia. Já as demais (as inéditas com Caetano, Fernadinha Takai, Marisa Monte, Leila Pinheiro, Célia Porto, Dorival Caymmi e Adriana Calcanhoto) foram montadas em estúdio em novembro de 2009.
É notório a fome da gravadora, EMI, que se aproveita de algo que o Renato tanto repudiou (o relançamento de músicas repetidas), mas notamos que num CD que se apresenta como "um grande achado", tenhamos versões tão antigas e conhecidas do público e recém lançadas em na última coletânea do artista. Fica parecendo os discos do Raul Seixas que a cada lançamento, tinha metade de disco anteriores.
Clique nos links abaixo para ouvir trechos de cada uma das músicas, através do site Rolling Stone:
"Like a Lover", com Fernanda Takai
"Celeste (Soul Persifal)", com Marisa Monte
"Vento no Litoral", com Cássia Eller
"Mais uma Vez", com 14 Bis
"A Carta", com Erasmo Carlos
"A Cruz e a Espada", com Paulo Ricardo
"Cathedral Song/Catedral", com Zélia Duncan
"Change Partners", com Caetano Veloso
"Strani Amori", com Laura Pausini
"La Solitudine", com Leila Pinheiro
"Come Fa Um'Onda (Como Uma Onda)", com Célia Porto
"Só Louco", com Dorival Caymmi
"Esquadros", com Adriana Calcanhoto
"Nada por Mim", com Herbert Vianna
"Summertime", com Cida Moreira
Saudações!!
quinta-feira, 25 de março de 2010
Mais Renato Russo, mais Legião Urbana, pra minha alegria...

Abaixo segue um deles para deleite da galera. (Fonte : MPB Player)
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Pais e filhos
João Anzanello Carrascoza
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Eu vivia o que me cabia, no meu tamanho de descobertas, era uma criança como as outras, saltava num instante de uma brincadeira para uma dor, e de uma dor para uma brincadeira, enchendo-me de balas e de sombras. Preso aos ensinamentos na sala de aula, ou distraído entre os amigos no recreio, eu me esquecia dele, embora no fundo esperasse com força pela hora de sua ligação. E, quando chegava, parecia-me uma hora comum, a voz dele longe, às vezes encoberta pelos chiados, às vezes tão próxima que eu a
sentia em meu ouvido como o sussurro de um anjo.

Depois que ele se foi da casa onde morávamos, eu só o tinha àquela hora, e não compreendia por que passava tanto tempo sem vê-lo. No entanto, bastava o telefone tocar, à noite, para eu sofrer aquele susto bom, e, quando a mãe me passava o telefone, nem precisava ela dizer, É o seu pai, o rosto dele já reaparecia em minha memória e uma dolorida felicidade me queimava, eu quase não dizia nada — eu só queria arder nas labaredas daquele instante.
Então cresci. Com a exatidão dos astros, meu pai continuou a telefonar no mesmo horário, todos os dias, mas já não tinha o poder de me comover. Adolescente, eu vivia desarrumado por dentro. Estava atrás de minha verdade. Procurava o que havia dele em mim, e, quando encontrava — o sorriso igual, o mesmo olhar de despedida —, eu me negava a aceitar.
As linhas da vida me desviavam do seu caminho. Eu aprendera a atirar pedras, e ele era o meu alvo preferido. A hora, antes tão sagrada, se tornara maldita. Porque eu a queria imprevista. Eu me perguntava, a cada dia, Pai, por que me abandonaste?, atribuindo-lhe os pregos que o tempo cravava em minhas mãos.
Recusei-me muitas vezes a falar com ele, surdo para a mãe que vinha bater à porta do quarto, Atende, é o seu pai. Eu me fingia de Lázaro. Vamos, atende, ele já ligou três vezes. Não, eu não queria lhe abrir o meu mar — nessa época, eu mal sabia que o pai poderia, se quisesse, vir até a mim andando sobre as
águas.
Os anos se multiplicaram, e, como um peixe, aprendi que todos estamos cercados de anzóis. A palavra do pai continuava a chegar, mas, vivendo os prodígios da liberdade, eu tinha pouca carne para o seu verbo.
Eu usufruía minhas mortes, e nada que ele dissesse me ressuscitaria de mim. Era um homem e não necessitava mais de sua providência. Mas não adiantou tentar a sorte em outras terras, a sua voz, ubíqua, sempre me encontrava: cheguei a desconfiar que não caía um fio de cabelo sem que ele ignorasse onde eu me escondia.
Há pouco o telefone tocou. A mãe me deu a notícia de que ele se foi, para sempre. Eu nem percebi que ele estava indo em cada uma daquelas ligações, quando me perguntava, Filho, como foi o seu dia? Agora, ante a ferida que se abre em mim, esta prece é apenas um band-aid.
